Avaliação Intraoperatória ou Congelação: Um Olhar Rápido e Decisivo Durante a Sua Cirurgia

Saiba mais sobre este exame que pode ser fundamental para o sucesso de algumas cirurgias.

PARA PACIENTESPATOLOGIACONGELAÇÃO

Dr. Renan Ribeiro

8/3/20253 min read

Enquanto um paciente está na sala de cirurgia, o tempo é precioso e as decisões precisam ser tomadas com rapidez e segurança. Mas e se o cirurgião precisar de uma resposta imediata sobre o que está vendo? É nesse momento que entra em cena um dos processos mais importantes e impressionantes da medicina: a avaliação intraoperatória, ou simplesmente "congelação".

Este é um guia para que pacientes e familiares entendam o que acontece nos bastidores e por que esse exame é tão fundamental para o sucesso de muitas cirurgias.

O que é a Avaliação Intraoperatória?

Pense na cirurgia como um voo e no cirurgião como o piloto. Em certos momentos, o piloto precisa de informações urgentes da torre de comando para fazer a manobra correta. Nessa analogia, o médico patologista é a torre de comando.

A avaliação intraoperatória é exatamente isso: um exame anatomopatológico realizado em tempo real, enquanto a cirurgia ainda está acontecendo. O processo é uma corrida contra o relógio:

  1. A amostra, que pode ser desde um pequeno fragmento até uma peça de maior dimensão, é retirada pelo cirurgião.

  2. Este material é levado imediatamente para a sala do patologista, que costuma ficar junto ao centro cirúrgico ou dentro dele.

  3. Lá, o patologista congela o tecido a temperaturas muito baixas (cerca de -17°C). O congelamento torna o tecido rígido o suficiente para ser fatiado.

  4. O tecido congelado é cortado em camadas finíssimas, colocado em uma lâmina de vidro e corado.

  5. O patologista examina a lâmina no microscópio e, em poucos minutos, comunica o diagnóstico à equipe cirúrgica.

Para que Serve? Os Principais Usos

Essa resposta rápida do patologista pode mudar completamente o rumo da cirurgia. Seus principais usos são:

  • 1. Saber se um tumor é benigno ou maligno: O cirurgião encontra um nódulo ou uma lesão suspeita. É um cisto inofensivo ou um câncer? A resposta do patologista determina se o cirurgião fará um procedimento mais simples ou uma cirurgia maior e mais complexa para remover o tumor com segurança.

  • 2. Analisar as "margens cirúrgicas": Este é o uso mais comum. Após remover um câncer, o cirurgião precisa saber: "Eu tirei tudo?". As margens (as “bordas”) do tecido retirado são analisadas pelo patologista. Se o patologista não encontrar células cancerosas nas margens ("margens livres"), a cirurgia pode ser concluída. Se encontrar ("margens comprometidas"), o cirurgião sabe que precisa remover um pouco mais de tecido naquela área, tudo no mesmo procedimento, evitando a necessidade de uma nova cirurgia no futuro.

  • 3. Verificar se o câncer se espalhou: Em cirurgias de câncer de mama, por exemplo, o cirurgião retira o primeiro linfonodo (gânglio) que drena a área do tumor, chamado de "linfonodo sentinela". A análise de congelação informa se há metástase (células de câncer) nesse linfonodo. A resposta ajuda o cirurgião a decidir se é necessário remover outros linfonodos da região.

As Limitações: Um Diagnóstico Preliminar, Não Definitivo

Apesar de ser uma ferramenta poderosa, é crucial entender que a biópsia de congelação tem suas limitações. Podemos compará-la a uma "foto instantânea" (Polaroid). Ela é rápida e extremamente útil no momento, mas não tem a mesma riqueza de detalhes de um "retrato de estúdio" (o exame final).

As principais limitações são:

  • Qualidade da Imagem: O processo de congelamento pode criar pequenos cristais de gelo que alteram um pouco a aparência das células, tornando o diagnóstico mais desafiador do que no exame final, feito com o tecido processado em parafina.

  • Amostragem Limitada: O patologista muitas vezes analisa apenas algumas áreas selecionadas do tecido, devido à necessidade de oferecer resultados rápidos. Pode haver mudanças após o processamento final do espécime e exame definitivo, no qual mais áreas costumam ser analisadas.

  • Diagnósticos Difíceis: Alguns tipos de tumores e lesões não podem ser diagnosticados com 100% de certeza na congelação. Nesses casos, o patologista, por segurança, pode informar ao cirurgião que o "diagnóstico será deferido ao exame de parafina". Isso não é um erro, mas um ato de prudência para garantir o diagnóstico mais preciso possível.

Conclusão: Uma Parceria em Tempo Real pela sua Saúde

A avaliação intraoperatória ou “congelação” é um exemplo perfeito da parceria entre o cirurgião e o patologista. É um diálogo rápido e preciso que une a habilidade cirúrgica na sala de operação com a precisão diagnóstica no laboratório, ambos focados em um único objetivo: oferecer o tratamento mais seguro e eficaz para o paciente, no momento em que ele mais precisa.